La Paz, como chegar, onde se hospedar, o que fazer e onde comer:

Há muito tempo queria conhecer Machu Picchu – Peru e de quebra fazer o downhill na estrada da morte na Bolívia. Então uni os dois desejos a mais outros que apareceram depois: Chacaltaya, o lago Humantay e a Isla del Sol.

Para conhecer os dois países, passando pelas cidades de La Paz e Cusco e a Isla del Sol, organizei a viagem para não dar um susto na carteira e não dar calos na bunda. Então voamos de Poa a Santa Cruz – Bolivía de Gol e depois, Santa Cruz a La Paz com a companhia paraguaia Amaszonas (R$ 350,00 cada trecho; não é tão barato mas foi o mehor que encontrei) de  onde iniciamos a viagem. Nos próximos posts vou falar das cidades e dos lugares.

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o aviãozinho da Amaszonas é pequeno, mas sabe que não balançou nadinha?! Voo de uma de uma hora com direito a cafezinho e tudo muito tranquilo.

Ah, esse voo tem uma pitadinha de emoção quase na chegada, quando se sobrevoa a Cordilheira dos Andes bem de pertinho. E como fomos no inverno, estava com os picos bem nevados. Já sobrevoei outras vezes as cordilheiras (Chile e Argentina), mas essa vez na Bolívia foi a que o avião chegou mais pertinho, quase deu medo. Muito emocionante.

Outra percepção que se tem já de cima é que o inverno é muito seco e que a geografia da Bolívia é um tanto curiosa, com longas planicies e também cidades em meio as montanhas (assim como La Paz).

Falando em geografia, La Paz é uma das cidades mais altas do mundo, sua altitude altrapassa os 3600 metros e chega a 5395 metros em locais próximos onde fizemos alguns passeios. E como não somos de ferro, essa diferença de altitude para nós Brasileiros costuma dar um certo mal estar. Eu pensava ser frescura o tal mal da montanha mas tive falta de ar, dor de cabeça e taquicardia até durante o sono.

Para evitar estes problemas, indico o “Respire melhor” (se compra em farmácias e serve para “dilatar” o nariz) para usar principalmente a noite. É bom já levar do Brasil, pois na Bolívia eu não encontrei e em Cusco estava a preço de ouro.

Outra coisa que me ajudou foi a “água de florida de Murray y Lanman”, pena que descobri tarde, quando já estava no Peru, subindo a montanha para chegar ao lago Huamantay, oferecido pelo nosso guia. Trata-se de um composto de ervas que serve para inalar e assim “abrir” a respiração; ajudou muito.

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levei mais uns frascos de água florida para casa. Certo que vou viciar, quero ver repor isso depois rsrs.

Outra coisa que me ajudou a controlar os mal estares, foram as “soroche pills”, cápsulas específicas para o mal da montanha (mal este chamado de soroche); é uma combinação de ácido acetilsalicílico, salófeno e cafeína. Pode-se encontrar em qualquer farmácia na Bolívia ou Peru, pois é muito comum os turistas precisarem. Há também quem precise usar os tubos de oxigênio. Pelo que me disseram, aparentemente os asiáticos são os que tem maiores dificuldades e que mais precisam disto. Estes tubos de oxigênio você encontra em farmácias, nos mercados e até os hotéis tem para uma possível emergência.

Mas agora chega de mimimi e vamos começar falar de paz, digo, de La Paz. A cidade não é algo que se possa dizer que faz juz ao nome, assim transmitindo paz e tranquilidade, pois é bem barulhenta, suja e com muitos problemas sociais relacionados a pobreza em que grande parte dos Bolivianos vivem (mas quando comparada as grandes cidade do Brasil, com essas mesmas dificuldades, tenho a impressão de que La Paz é muito mais segura). E assim pode-se dizer que é uma cidade de Paz, pois mesmo em meio aquele caos pudemos andar a pé a noite sem medo.

Como dizia, a economia não anda nada bem por lá (penso que nunca andou; aliás, parece que tudo parou no tempo, como se fosse o Brasil de 20 anos atrás). Isso se deve muito por nossa consiência ter avançado num patamar onde as pesssoas não podem fumar em lugares públicos, jogar lixo no chão ou mesmo usar cinto de segurança. Você deve estar pensando agora: Mas isso é óbvio! É, é óbvio mas na Bolívia o óbvio ainda não é assim tão óbvio.

Bom, sem demais delongas, vamos a minha experiência em La Paz:

Cheguei em La Paz num domingo a tarde do mês de maio e já tinha festa a minha espera. Opa! Era uma festa tradicional da cidade e para mim se pareceu muito com nosso carnaval (claro que comparado ao carnaval de um cidadezinha do interior).  Teve um desfile onde as pessoas se caracterizavam e desfilavam em grupos; cada grupo tinha uma banda, tudo organizado numa das ruas principais do centro de de La Paz, com direito a plateia pelas calçadas e o clima era decontraído.

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“Carnaval” de Paz.

Para o primeiro dia inteiro em La Paz – aliás o único livre de passeios – preparei um roteiro para conhecer a cidade:

La Paz é uma cidade em meio às montanhas e a atração na zona urbana é percorrer os mercados de rua (espécie de camelôs) que ocupam quase todo o centro; isso por sinal foi um espanto para mim, ver como os bolivianos vivem na informalidade. O centro inteiro é praticamente um camelódromo a céu aberto, com milhares de bolivianos vendendo de tudo que você possa imaginar (inclusive carnes e linguiças sem nenhuma refrigeração).

Bom, comecei o city tuor pela Calle de las Brujas (rua das Bruxas), já que fiquei no hotel Sagarnaga, que fica na mesma quadra. Esse é um lugar obrigatório para os turistas, onde as Cholas comercializam suas especiarias (incensos, chás, ervas, Palo Santo, etc) e algumas lãs de Alpacas tecidas em gorros, mantas, blusas e demais peças (se bem que a grande maioria das coisas não é de alpaca, vem da China mesmo).

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Calle de las Brujas

Uma coisa a comentar: nada tem preço nestes camelôs. O preço vai de acordo com a sua cara! se você se parecer com um europeu, irá pagar mais caro, isso é fato. Mas enfim, eles dão um primeiro preço e se tu demonstrar desinteresse, em seguida já lançam um valor menor. Mas, no geral as coisas e roupas são bastante baratas e vale levar um souvenir para casa.

Fomos seguindo em sentido ao teleférico (atração principal do dia) e conforme íamos entrando nas ruas, idenficávamos o tipo de comércio que definia a rua: tinha a rua de utencílios domésticos, as ruas das roupa, a rua dos grãos (milho principalmente), a rua dos produtos de limpeza… enfim, o centro é um grande camelódromo que não cheira muito bem, mas é visita obrigatória para entender a cultura dos Bolivianos.

Caminhamos subindo ladeiras mais um pouco e chegamos na estação do teleférico Rojo, que é atração mais bacana de La Paz. São várias as linhas de teleféricos que cortam a cidade e a mais famosa é linha Roja (vermelha), onde o final dela tem um mirante que fica a 4095 metros de altitude e em todo o caminho proporciona vistas bem abrangentes de La Paz.

A primeira estação da linha vermelha fica bem no centro, junto da antiga estação ferroviária. Aliás, para tu te achares por La Paz é essencial usar um mapa ou um aplicativo, pois os bolivianos não são bons em dar informações e as ruas na sua grande maioria não possuem identificação.

Sobimos até chegar no mirante já na cidade vizinha de EL Alto. Há uma parada no meio do morro, mas nessa só desceram os locais e assim entendemos não ser turística. Apesar da altura não tive medo e isso se deve muito pelo teleférico ser novinho; parece que essa novidade no meio transporte de La Paz só tem uns 3 ou 4 anos.

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há partes em que o bondinho acelera bastante e você pensa ter algo de errado com ele. Mas não, é que esse meio de transporte foi construído para locomoção rápida e não para os turistas ficarem batendo postais tranquilamente.
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a vista do mirante de El Alto.

O custo da passagem é de 3 bolivianos (R$ 1,50) e apesar de nos parecer baratíssimo, não é para a população local que é bastante carente e em sua maioria utiliza vans informais para ir da casa para o trabalho e vice e versa. A passagem nas vans é de 2 bolivianos.

Carro próprio em La Paz é coisa rarrísima. O transito é tomado das vans e alguns táxis velhos.

 

Saindo do teleférico, ainda no centro tem um lugar importante a se ir, é a Plaza Murillo onde que fica a sede do governo boliviano e ali é o marco zero da cidade.

Repare na foto do meio no relógio, coisa de político.

Um lugar diferente para se ir na cidade (diferente em La Paz, comum para nós), é o shopping. O shopping Mega Center fica na Zona Sul e o melhor jeito de chegar lá é indo de taxi (saindo do centro custa cerca de 35 a 40 bolivianos; aliás, gostaria de comentar que o Uber até existe em Lá Paz,  mas existem poucos carro e frequentemente não se consegue pegar). No Mega Center existem poucas lojas e é tudo muito caro, bem mais caro que no Brasil;

Outra opção para ir ao Mega Center a partir do mês de junho/2018 é pegar a linha celeste do teférico (nova) que sai do centro, e então pegar a linha verde que vai até o shopping.

Bom, o que realmente nos levou ao shopping foi a comida e a bebida, hehehe. Sim, o excelente sorvete do Fredo (que infelizmente descobrimos que já fechou) e o Hard Rock Café, isso mesmo, La Paz possui um, fiquei bege com isso, pois se no Brasil até agora só tem um e teria tranquilamente mercado para mais (em breve estreia um em Gramado/RS).

Bom, chegamos no Hard Rock cedo (prefiro pensar assim pois estava vazio e desanimado), mas mesmo assim tomamos uma gelada de qualidade e curtimos um rock. O lugar é bonito quanto a sua decoaração e possui a tradicional lojinha de camisetas que são uma facada, mas é um status ter uma né, heheh, nunca comprei uma!

Dando cuntinuidade as comilanças e bebedeiras (capaz, como os dias são intensos e a dor de cabeça é frequente causada pela altitute, se bebe bem pouco), abaixo as dicas de onde comer:

Observação: comer na Bolivia é muito barato para nós Brasileiros, uma janta para casal custa em média como R$ 70,00. E ao contrário do que eu esperava, consegui comer bem, graças as dicas do Trip Advisor. Abaixo os lugares que mais gostei e recomendo:

– Pizzaria mozzarela: ótima pizza e com custo baixo. Fica na Calle Illampu Nr. 868 esquina com a calle Sagarnaga. Abre as 10:30 e fecha as 23:30. Gostamos tanto da pizza que fomos até ela por duas vezes.

 

⁃ The English pub: lugar bem bacana para curtir um rock e beber e comer bem. Custo bom e comida de qualidade. Possui dois endereços, mas recomendo o ambiente mais bonito que fica na Calle Tarija esquina com Linares, nr. 189. Fica na sequência da rua das Brujas, em sentido ao sul.

 

⁃ The Carrot tree: é um restaurante que fica no segundo piso de uma galeria (Witches Market) na rua das bruxas. Calle Linares esquina Santa Cruz, 809. O lugar possui um piso superior com uma belíssima vista de toda a La Paz. A comida é boa.

⁃ Restaurante Tambo (fica dentro do hotel Sagarnaga e é aberto a não hóspedes). Ficamos nesse hotel e mesmo que não tivesse ficado ali teria ido ao restaurante pois a comida é muito boa e o custo nem se fala.

E como dica de hospedagem recomendo o hotel Sagarnaga. Pagamos por uma suíte simples com café da manhã razoável R$ 120,00 por diária. Segue o site do hotel: http://www.hotelsagarnaga.com

O bacana do hotel é pegar um quarto com vista para a rua e a partir do quarto andar, onde a vista é muito bonita.

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vista do quarto.

 

Percepções de La Paz e dos bolivianos:

O povo boliviano, que muitas vezes só fala a língua indígena Aimara, trabalha muito e ganha pouco; grande parte trabalha nos seus próprios comércios informais (camelôs) e ganha apenas para viver. Vivem em condições precárias e tem pouco acesso a informações e sem possibilidade de grandes mudanças.

As cholas dominam estes comércios informais nas ruas. Perguntei a uma delas sua rotina e pasmem, ela trabalha 13 horas por dia e leva mais 1h para chegar de Van ao trabalho e outra 1 hora para voltar pra casa, então 15 horas do seu dia estão envolvidas com o trabalho. Por isso talvez não seja incomum vê-las cochilando ou comendo em meio ao trabalho; aliás, a alimentação deste povo mais desfavorecido é péssima, o que pode explicar o sobrepeso da quase totalidade da população feminina. Geralmente elas comem o que vendem (salgadinhos, docinhos industrializados, etc; por poucas vezes vi algumas se alimentando de sopas).

Tive uma boa experiência em um dia em que precisei trocar/reparar um produto: comprei uma mochila no mercado das bruxas em uma das muitas lojas da rua que vendem quase que todos os mesmos produtos. Pois bem, o fecho da mochila estragou e fui ver se conseguiam trocar ou arrumar. Entrei na primeira loja que pensei ter comprado a mochila e estando lá com os comerciantes vi que não tinha sido ali que havia comprado, mas, para minha surpresa não fui escurassada e sim a chola consertou com a maior boa vontade e não aceitou que eu pagasse por tal serviço, disse que estava tudo bem. Agora te pergunto: aconteceria o mesmo no Brasil? Dificilmente…

Outra curiosidade: Parece que os celulares ainda não estão bem difundidos por lá. Vimos poucos usando-os e existe por toda parte do centro pequenas bancas com telefones fixos que são “alugados” para as pessoas fazerem ligações. Aliás, dou uma dica para quem for a Bolívia: Compre um chip da “VIVA” para o seu celular. Custa apenas 10 bolivianos (cerca de R$ 5,00) e vem com bônus de 1GB de internet válido por uma semana. Só tem de pedir para um boliviano registrar o chip para você, pois como extrangeiro você não irá conseguir. No meu caso, o próprio atendente da banca onde comprei fez todo o registro e já sai com a internet funcionando.

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Veja a banca do Viva disponibilizando a comunicação.

Por tudo que passei tive um aprendizado muito grande com a Bolivia e seu povo e recomendo esta viagem aos amigos. Ainda mais se tu tiveres plano de ir ao Peru, vai por mim e inclua uma passada pela Bolívia.

Nos próximos posts irei escrever sobre o downhill na estrada da morte, Chacaltaya e Valle de la Luna (foto destacada do post). Depois, sigo escrevendo sobre a Isla del Sol, Peru, Machu Picchu e Lago Humantay.

Até mais, abraços!

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