Puyuhuapi e o SPA termal à beira do Pacífico.

Iniciamos o dia 11 da nossa trip. Saímos de Puerto Cisnes e passamos o dia no Parque Nacional de Queulat e na seqüência paramos em Puyuhuapi para terminar o dia admirando o mar e descansar para o próximo dia cheio, o qual seria o fechamento das atrações desta viagem pela Carretera Austral.

Chegando ao canal Puyuhuapi não sei se foi a canseira de todas as trilhas que havíamos feito até então ou já seria efeito de um pré-relaxamento do dia seguinte… foi um silêncio, uma paz enorme.

A cidade tem mais ou menos 500 habitantes e leva o mesmo nome do canal Puyuhuapi. Logo que cheguei me chamou atenção os fortes indícios de ser uma daquelas cidades patagônicas colonizadas por alemães. Vi rosas aos montes pela praça, o que fez lembrar de meus dias em Puerto Varas em 2018; as casas também não negavam minha intuição. Conversei um pouco aqui e ali e descobri que essa comuna foi uma doação a estrangeiros europeus para que habitassem essas terras frias. Aconteceu lá em 1935, quando neste lugar se estabeleceram 4 alemães e depois chegaram os chilenos de Chiloé para completar a turminha inicial.

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Puyuhuapi foi uma bela escolha para finalizar nosso roteiro (depois só fomos a Coyhaique para devolver o carro e tomar o avião); foi o fechamento perfeito, descansamos os dedinhos, curamos as bolhas e namorando o Pacífico tivemos a certeza de que a Patagônia será sempre uma viagem a repetir (tão logo sai o quarto roteiro Patagônico).

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A dica de hospedagem é o lugar onde ficamos, afinal Puyuhuapi é daqueles lugares que não há tantas opções, o que há são casas onde os moradores fazem um puxadinho (alguns bem ajeitadinhos) para receber os turistas. Eu gosto desse modo de me hospedar, claro que precisa-se ter uma cama boa, um banheiro no quarto, etc, mas também nem menciono quando o lugar não é bom, enfim, esse modo de estadia nos aproxima mais dos locais e torna a experiência mais orgânica.

Hostal Don Luis https: http://www.booking.com/hotel/cl/hostal-don-luis-puyuhuapi.pt-br.html

Suíte com café da manhã nos custou USD 50.

E aproveitando, a renda do chileno que vive em Puyuhuapi é na grande maioria proveniente da pesca (cativeiros de salmão como mencionei no post de Puerto Cisnes), aí o pessoal complementa com as hospedagens aos turistas, um e outro tem um mercadinho, um restaurante… é um povo simples e muito tranquilo, assim como as águas do porto.

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Na foto acima tu já deves ter notado que o verde predomina, isso tudo por conta do alto volume de chuvas que ocorre por lá. Lembrei de um passeio que fiz em Bariloche onde o guia nos contou sobre o lado da cordilheira que chove e o lado para onde as nuvens não atravessam e a seca é de janeiro a janeiro. Então, esse lado aqui é onde as nuvens estacionam e custam a querer ir embora, ta bom… eu entendo, também não tinha pressa nenhuma de ir embora deste paraíso.

E falando em águas é delas que são feitas a maior atração por aqui, os spas de águas termais, águas que vem de vulcões, sim, a região é tomada por montanhas vulcânicas as quais não amedrontam e sim acalmam, relaxam.

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pensa numa vibe boa… multiplica por mil

Tínhamos algumas opções, uma bem cara é a Puyuhuapi Lodge & Spa (se você pode, deve valer muita a pena), aí tínhamos as opções das termas públicas, mas olhei as fotos e não achei muito atrativo ainda mais que me disseram que costumava lotar e a ideia era relaxar quietinha e não ter uma experiência semelhante à que tive em Budapeste (galerão na piscina, foi divertido, mas não era o que idealizei para termas patagônicas). Enfim, descobrimos a Termas del Ventisquero.

A terma pública é na Isla Madalena, de graça, mas para atravessar até a ilha paga-se 30 mil pesos (o prefeito deu um jeitinho de dar trabalho ao povo, achei bacana, mas caro). Os barcos tem saída na Carretera Austral no caminho à Puerto Cisnes.

Termas del Ventisquero

Quente ou fria? salgada ou doce? 

Nem nos sonhos mais lindos tinha imaginado que um dia estaria em uma terma vulcânica diante do mar… podendo fazer o “câmbio “ troca de temperaturas e de doce para salgada na mesma hora.

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a piscina e o mar

As águas do Pacífico nesta época (dezembro) estão em cerca de 10 graus. As piscinas variam de 30 à 40 graus.

A região tem termas graças a atividade vulcânica que tem nas montanhas ao redor do Pacífico. E as águas das quais provei são aflorações do vulcão Melimeyu.

O Termas del Ventisquero está nas imediações do Parque Nacional de Queulat. A estrutura é boa, são 3 piscinas pequenas e uma grande. Há na parte superior um café, coisa para um lanchinho rápido, aliás é pedido para não consumir nada ao redor das piscinas (como lanches).

O cardápio não é lá essas coisas, só lanchinho mesmo e vou logo avisando, são caros, é dia para tomar um cafeqsão antes de sair e depois jantar, foi o que fizemos.

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uma vista dessas é perfeita para um cafézinho

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Uma das piscinas é coberta, bom para quem quer fugir do sol, agora a diferença entre elas é a temperatura que varia de 30 a 40 graus, e esses 10 graus de diferença é muita coisa.

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Nós chegamos pela manhã, sem sol, cara de frio mesmo, tanto que coloquei a toca para tapar as orelhas e ficava só na água quente para não encarangar. Á tarde o sol apareceu e fez um dia lindo (dizem que isso é raro, pois chove muito na região, então estávamos com sorte) esquentou um pouquinho e pude curtir mais o mar também (mas mesmo assim não se aguentava mais que uns minutinhos nele, entrei e sai várias vezes).

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foto ainda pela manhã, quando instalamos o tripé, nos posicionamos e ficamos aguardando os golfinhos dar o ar da graça.
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a tarde com o sol o lugar ficou ainda mais lindo.

As piscinas são esvaziadas e a água é renovada por várias vezes no dia, isso para garantir as temperaturas e também por questão de higiene. O fantástico que o funcionário abre a torneira a água desce ao mar e a nova vem da montanha, opa, vulcão.  

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 As águas termais fazem bem para a pele: renovando as células, limpando e hidratando; melhoram a circulação sanguínea; relaxam o corpo e diminuem as dores. No entanto, é contraindicado para quem tem pressão alta ou muito baixa e também para quem tem problemas cardíacos graves; no mais é só alegria. 

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fazendo bem para a pele e a alma.

Além de toda essa beleza, tem um upgrade no paraíso, acontece geralmente pela manhã e meio da tarde, que é quando focas, lobos marinhos e golfinhos usam esse braço do mar para caçar trutas.

Os golfinhos vimos rapidamente, nem deu tempo de pegar câmera, fiz um vídeo no celular (postei no instagram @frida_viaja), agora as focas ficaram se exibindo por mais tempo. Lontras não vimos, mas dizem que tem também.

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um casalzinho de focas

E para aproveitar o spa não é a chuva ou o frio que vão lhe impedir, as águas estão naturalmente à 40 graus o ano inteiro, então o spa funciona até com neve, mas tem suas exceções, bom verificar antes.

Informações extras:

Funciona das 10h às 19h 

Custa 20 mil pesos por pessoa 

Emprestam toalha e armário para colocarem seus pertences, .

Abaixo o link do site para mais informações:

http://www.termasventisqueropuyuhuapi.cl/

Nesse dia foi ainda mais difícil pegar a estrada… fiquei só pedindo “só mais 5 minutinhos, só mais 5 minutinhos”… assim consegui enrolar o marido e saímos do spa depois das 17h rsrs.

Abaixo uma fotinho do último abastecimento do carrinho, em Puyuhuapi de onde partimos à Coihaique para tomar o avião e dar game over para mais essa aventura Patagônica.

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olha do que fizeram o guarda corpo nesse trecho da carretera, madeira.

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Como se volta de um lugar deste? Não sei, a gente precisa voltar porque a vida acontece em outros lugares e nem sempre é a beira de um lago esmeralda ou no meio de uma floresta, mas o bom é que quando decidimos e priorizarmos, poderemos voltar.

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últimas cervejas dessa trip, em Coyhaique brindando a vida.

A Patagônia sempre supera minhas expectativas, a cada novo roteiro eu penso: claro que não vai ser tão lindo quando o último… porque né, não há como ser mais lindo que Ushuaia ou El Chaltén no verão de 2015, nem tampouco quanto Bariloche em 2018 e agora na Carretera Austral foi como?

Fantástico, exuberante e estupendo!

Voltamos ainda mais apaixonados por aquele território e tendo a certeza que qualquer roteiro pela Patagônia sempre será bem vindo.

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Kussia Fridinhos, até a próxima.

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