Parque Nacional Patagônia e Cochrane.

Depois de passar o dia inteiro na estrada, vindos de Chile Chico pela cênica Ruta 265, a estrada mais linda do Chile e a minha preferida no quesito Patagônia, considerando até mesmo a famosa Ruta 40. Como estava dizendo, chegamos em Cochrane deslumbrados com a beleza da viagem que fizemos, foi um dia que valeu muito à pena viajar de carro, sem compromisso, sem guia, sem perder tempo esperando o avião, o trem, o ônibus; Com certeza alugar um carro te dá liberdade, é um plus no verbo viajar. Fiquei tão empolgada que vou dar um spoiler: já loquei um carrinho para fazer a Rota Romântica na Alemanha (minha próxima trip fora do Brasil)…iupiiiii !!!

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Carrinho alugado da SALFA RENT como falei no post do roteiro

Enfim, chegados em Cochrane, paramos num posto bem na entrada da cidade, onde nosso carro foi abastecido por uma chilena… fiquei pensando porque quase não vejo mulheres nesse trabalho no Brasil, não querem ou não as contratam? Opa, longe de mim fazer polêmica, logo eu que ando na linha do meio de tudo, por vezes resvalo um pouquinho para um extremo ou para o outro, mas isso tudo se deve a minha maneira de ver o trem globalizado, quando você viaja muito é muito fácil começar a pensar assim… haham, se é bom não sei, às vezes acho que sim e por vezes penso que não… e por aí vai.

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Abastecidos, fomos procurar por nossa hospedagem e antes passamos num mercadinho, sim Cochrane não é o tipo de cidade que tem mercado, quanto menos um super, hehe.

No mercadinho a lista é a de sempre: pão, frios, ovos e frutas. O rancho havíamos feito no super em Coyhaique para economizar e ter variedades. Enfim, a rotina de check-in em cidade patagônica é essa, descobrir um mercado e ir pro quarto; raríssimas às vezes que vamos atrás de restaurantes e quando vamos é um acontecimento. Para fazer turismo, comer comida local acho muito importante pra se aclimatar e conhecer um pouco mais da cultura do povo. Os motivos do pão com ovo e massas e sopas semi prontas são principalmente o custo benefício e o rápido tempo de preparo, já que geralmente se faz trekking o dia todo. Alem disso, geralmente nos hospedamos em hostel/ hospedarias e aí podemos fazer nossa jantinha.

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A cidade é pequena mas a praça é grande e caprichadinha.
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casinha estilo Cochcrane – Patagônia.

Falando de hospedagem, em Cochrane recomendo o hostel em que ficamos, limpinho e confortável, que é de um simpático casal. O Hostal Lejana Patagônia contratado pelo booking, tem ótimo custo benefício (caro, mas Patagônia é assim mesmo… e quando digo caro quero dizer mais caro que um apê na Europa). Para quem está em busca de uma suíte confortável, privativa e com aspecto familiar, a diária com café da manhã (chá+ omelete+ pão e bolo) e garagem para nosso carinho, foi de USD 52,00. Esse valor sem o ISS que é o imposto que não é devido por estrangeiro (mas tem de pedir esse desconto, senão não ganha).

Seguem abaixo os contatos do Hostal Lejana Patagônia:

Hostal Lejana Patagonia | Alojamiento en Cochrane | Patagonia Chile

email: lejanapatagonia2016@gmail.com  e whatts + 56 9 7764 6669

Ficamos em Cochrane por 3 noites: a noite da chegada, no outro dia fizemos o Parque da Patagônia, no outro um bate-volta a Calleta Tortel e no outro voltamos para a Carretera Austral novamente.

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não tirei foto do hostel, esqueci, mas o guarda que aguardava seu dono em frente ao mercadinho não pude deixar de notar seu profissionalismo.

No dia 6 da da nossa trip fizemos nossa aventura no Parque Nacional Patagônia.

PARQUE NACIONAL PATAGÔNIA:

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Já havíamos estado neste mesmo parque, mas em outra parte, em Chile Chico, onde se chama de Reserva Nacional Lago Jeinimeni.

Saímos da cidade de Cochrane pela Carretera Austral e seguimos pela ruta X83. Até entrada do parque foi um bom tempinho dirigindo.

Para se chegar no centro de informações use as coordenadas: -47°06’58”, -72°29’01”

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nesse mapinha você consegue ver a localização do parque para Chile Chico e Cochrane

O Parque Nacional Patagônia é tão grande que é se pode até carimbar o passaporte na Argentina. Isso mesmo, ele chega até a divisa com o país vizinho.

Já dentro do parque andamos muitas horas de carro, fizemos algumas paradas para fotos e um trekking para um mirador, aliás trilhas nesse parque não faltam.

São 6 trilhas no Valle Chacabuco, 9 trilhas no Setor Tamango, 5 trilhas no Setor Jeinimeni, (o qual visitamos dias antes quando estivemos em Chile Chico).

Não se paga nada para entrar no parque, só para fazer as trilhas há uma pequena taxa, porém no dia em que fomos, não havia ninguém na guarita do início da trilha escolhida para cobrar. Sorte? acho que não, ficaria até feliz em pagar por tanta beleza e organização.

Para este parque um dia inteiro é pouco para conhecer os caminhos de carro e para conhecer todas as trilhas. Só acampando por dias. Aliás, é um acampamento que até dondoca topa, nunca tinha visto esse tipo de padrão de camping, tudo muito moderno (energia solar) que proporcionam até banho quente, lugar para lavar roupas e tudo mais.

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aí você monta sua barraca dentro desses quiosques.
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banheiros.

O padrão de primeiro mundo (sinalizado, organizado) logo vai te fazer pensar… quem está proporcionando isso? quem mantém? a resposta é: trata-se de uma propriedade privada de Douglas Tompkins o fundador da The North Face, transformada em Parque Nacional.

Abaixo trecho de um post anterior onde falo desse camarada:

“Douglas Tompkins é adorado na Patagônia por todos os bons feitos pela preservação da natureza. O cara comprou 900 mil hectares de terra para transformar em Parques Nacionais, um deles é o Pumalín Park, um dos maiores parques privados do planeta, e outro, o qual estivemos por duas vezes nesta trip (tão grande que até fronteira com a Argentina faz e nós conhecemos parte dele em Chile Chico e outra parte em Cochrane) é o Parque Nacional Patagônia.”

Douglas também virou meu ídolo, a experiência de estar por lá, avistar as paisagens cinematográficas, saber que o Parque Patagônia é agora lar de animais que antes estavam entrando em extinção e por lá transitam naturalmente como raposas, o vizcacha sul, o gato selvagem, o esquivo puma, huemul, flamingos, condores, guanacos… ou seja, o puro da Patagônia está sendo preservado nestes muitos quilômetros..

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Antes de ser o Parque Nacional Patagônia, na área 70.000 hectares, havia uma fazenda de ovelhas que esgotavam o solo com séculos de pastoreio excessivo.

Douglas comprou essa área em 2000 e em 2014, a Tompkins Conservation começou a restaurar a área e o ecossistema. Hoje é um dos parques mais importantes da Patagônia.

Como disse antes, dirigimos o dia inteiro dentro do parque e neste dia teria sido interessante um carro 4×4, porque aí não precisaríamos caminhar até as trilhas pois se pode ir até a entrada delas de carro e depois escolher a qual fazer; teríamos poupado umas duas horinhas de caminhada morro acima, mas enfim, esta caminhada também foi parte da trilha.

São várias as trilhas espalhadas pelo parque e são vários pontos de saídas de trilhas, então é preciso um pré-planejamento para saber onde se direcionar para se ter determinada vista (prêmio) de fim de trilha.

Abaixo umas dicas de onde passar no Setor Valle do Chacabuco:

– Confluência Ríos Baker e Chacabuco: coordenadas -47°07’48”, -72°36’08”

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neste ponto da Carretera Austral já é Parque Nacional Patagônia

Esse lugar fica bem próximo da cidade Cochcrane, na Carretera Austral; fica do lado esquerdo para quem está dirigindo da cidade ao parque.

Você desce do carro e poucos passos te dão o visual do mirante da foto.

– Laguna Los Juncos: coordenadas -47°06’52”, -72°34’31”

Esse lugar já está na Ruta X83, a 2,8km da confluência e vale a paradinha para avistar as lagoas e se quiser caminhar um pouquinho vai ver espécies de aves aquáticas, mas assim como os peixes, os animais são protegidos e não é possível pescar em nenhuma lagoa do parque. A pesca é permitida em algumas áreas do rio Chacabuco.

– Las Latas: coordenadas -47°06’26”, -72°30’29”

Nesse lugar você terá a primeira visão do Vale Chacabuco, fica a 8,1 km do marco zero.

– Centro de informações: coordenadas -47°06’58”, -72°29’01”

Seguindo o roteiro aí você chegará no centro de informações, que fica a 10,7 km do marco zero. É legal parar e ver um mapinha (não entregam nada de papel, o lema por lá é evitar a poluição), conversar com um guia e ver qual trilha a fazer que no dia será mais adequada a previsão de tempo.

– Laguna Cisnes: coordenadas  -47°06’51”, -72°26’16”

Nesse lagoa vale muito ter um binóculo pois na primavera e verão ficam por ali pássaros exóticos. Fica à 15km do marco zero.

– Laguna de Los Flamencos: coordenadas -47°05’20”, -72°24’00”

Fica à 19 km do marco zero. Essa Laguna é possível avistar cisnes e flamingos.

– Portezuelo Laguna Seca: coordenadas -47°04’08”, -72°21’07”

Deste lugar se tem uma visão panorâmica do Vale Chacabuco e de quebra ainda se vê flamingos na lagoa seca. Fica à 23,3 km do marco zero.

– Valle Guanacos: coordenadas -47°03’48”, -72°18’44”

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Os guanacos estão por todo o parque, mas nesse canto eles fazem morada, reúnem a família com sogra, sobrinhos, primos rsrs. Fica 27,4 km do marco zero.

É necessário dirigir com atenção e respeitar as placas de velocidades, pois há pontos em que os guanacos pegam velocidade e descem montanhas no embalo atravessando a x83 como se não houvesse amanhã, na verdade parece que vão bater no carro.

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– Puesto Casa de Piedra: coordenadas -47°03’29”, -72°11’43”

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vai virar quadro aqui em casa.

Fica à 36,1 km do marco zero. Essa vista é um quadro famoso, não é para menos, foi o lugar que eu mais me impressionei nesse dia. Trata-se de uma passarela de 1940 que hoje serve de entrada para uma longa trilha que dura 3 dias e finaliza na Reserva do Lago Jeimini.

– Puente sobre el Río Chacabuco: coordenadas -47°05’57”, -72°05’23”

Fica à 46,3 km do marco zero. Você vai chegar até a ponte e precisará voltar, pois ela faz uma divisa com uma propriedade particular, no entanto vale muito transitar pela ponte e avistar a vegetação que em outubro e novembro fica vermelhinha. Nesse ponto do rio também é permitido praticar esportes e pescar.

– Cerro Oportus: coordenadas -47°06’50”, -72°04’15”

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Fica à 48,8 km do marco zero, lá você terá a vista da montanha e uma vista para o Lago Cochrane. O lugar é acesso para as trilhas: de Mirador de San Lourenzo, Los Gatos e Lago Chico.

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essa quilometragem dos senderos (trilha) é do camping até a entrada das trilhas, aí tem mais a km de cada uma… só para avisar, hehe

– Mirador Douglas Tompkins

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deitada em berço esplêndido

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O acesso a essa trilha fica no camping Alto Valle, onde terá uma placa indicando o Mirador Douglas Tompkinnss. É uma trilha bem bonita que segue por 6 km montanha acima, afinal se vai em um mirador, mas todo esforço é compensado com o prêmio final, a vista para o Lago Cochrande e a Isla Victor. Essa pernada de 6km pode ser reduzida para 4 km se você estiver à bordo de 4×4, mas como nós precisávamos emagrecer e trilhar é meu hobby predileto, tudo certo, subi curtindo e avistando bichinhos.

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volta da trilha, agora sim… morro abaixo
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morro abaixo só é bom para quem não tem unha encravada, hehe, faz uma pressão nos dedinhos.

– La Juanina: coordenadas -47°08’11”,-72°04’01”

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Fica à 52,1 km do marco zero, é um conjunto de casas estilo rancho onde cachorros pastoreiam ovelhas.

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– Puesto Baño: coordenadas -47°10’14”, -71°59’16”

Aqui fica um aeródromo, à 58,7 km do marco inicial, não avistei nenhum aviãozinho por lá, mas imagino a farra quando um começa a descer naqueles ventos patagônicos.

– Retén Entrada Baker: coordenadas -47°11’02”, -71°58’25”

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Fica à 62,7 km do marco zero, neste ponto fica a fronteira do Chile com a Argentina.

– Laguna La Frontera: coordenadas -47°10’26”, -71°53’16”

Aqui já em área militar entre as fronteiras fica a última laguna do parque. Fica à 69,5km do marco inicial

Chegados aqui e iniciamos a nossa volta que demorou horinhas e com vontade ficar, fomos embora do parque rumo a cidade de Cochrane de onde no outro dia partimos à Calleta Tortel. Conto no próximo post.

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olha o bichinho que encontrei na volta, dizem ser uma espécie de gambá…

Há e uma última dica, se a caso você não quiser mesmo voltar para a cidade e não estiver preparado para acampar, existe o Loadge At Valle Chacabuco, um hotel incrível que fica dentro do parque. Claro que ele não deve oferecer uma hospedagem baratinha, pois o luxuoso de pedra e madeira reverte todo o lucro para ajudar a manter o parque. Mas tem um porém, ele funciona somente de outubro a abril.

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antes abastecemos novamente, agora no Petrobras de Cochcrane.
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acho que abastecem avião por aqui também rsrs…

Então Fridinhos, nos vemos em Tortel. Kussie!

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